Infância saudável, vida saudável

17/10/2011 às 7:09 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

obesidadeinfantil

A perda da guarda de dois filhos de um casal escocês foi notícia no mundo todo em outubro. Acusados de negligência, os pais foram punidos porque seus filhos, de 3 e 4 anos, caminhavam para obesidade mórbida, a exemplo de seus outro quatro irmãos (o mais velho, de 12 anos, tem 100 quilos). O mais novo tinha 25 quilos. A mãe, de 40 anos, tem mais de 145 quilos. O pai, de 53, pesa quase 115.
A polêmica reascendeu uma discussão já bastante conhecida da atualidade: as crianças obesas e os maus hábitos alimentares durante a infância. Quanto disso é culpa dos pais, das próprias crianças, da genética e do modo de vida moderno? E quando disso a criança leva para o resto da vida?
Freud disse, há mais de 100 anos, que é durante a infância que se moldam os comportamentos dos futuros adultos. O que os cientistas estão descobrindo atualmente é que, fisicamente, os problemas de saúde dos adultos também têm relação direta com maus hábitos durante a infância.

Opinião de especialista
Segundo a pediatra Raquel Rego, especialista em nutrologia da Clínica Asinelli, do Dr. Máximo Asinelli, a obesidade na infância e adolescência é um importante fator de risco para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares na vida futura. “A presença de pelo menos um fator de risco para doenças do coração e vasculares, como pressão alta, colesterol alto, hiperinsulinemia ou aumento do hormônio controlador do açúcar sanguíneo, tem sido observada em 60% das crianças e adolescentes com excesso de peso”, explica.
Além de fatores genéticos, hábitos alimentares saudáveis são fundamentais. A criança que consome muito sal ou que bebe leite de vaca (que tem mais sódio do que o materno) tem o paladar estimulado para gostar de alimentos salgados durante sua vida toda e levar a uma sobrecarga renal durante a infância mesmo ou à hipertensão.
O leite de vaca não modificado pode causar também alterações metabólicas e obesidade em crianças menores de seis meses. “A Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde de 2006 mostrou que a média de tempo que a mãe amamenta no Brasil é de 2,1 meses. Se o mínimo de seis meses de amamentação exclusiva fosse respeitado, certamente teríamos adultos com menos doenças crônicas como diabetes, obesidade e hipertensão”, analisa Raquel.

O papel da alimentação
“A obesidade é certamente a maior vilã”, afirma. No entanto, não é raro, segundo a pediatra, que os pais dêem até salgadinhos e frituras para seus filhos de menos de um ano de idade: quase 10% dos bebês já têm acesso a esse tipo de alimento.
Como pediatra, ela indica que durante os seis primeiros meses a criança se alimente exclusivamente de leite materno, sem nem mesmo chá ou água. Depois desse período outros alimentos – como legumes, tubérculos, cereais, frutas e carnes – devem ser inseridos na dieta aos poucos, mas sem abandonar a amamentação.
Açúcar, café, corantes e produtos industrializados devem ser evitados ao máximo. “Eu também percebo que muitos pais tendem a dar muita comida a seus filhos, quando na verdade cada criança tem seu ritmo e seu nível de saciedade”, defende Raquel.

Doença de adulto em corpo de criança
Mas não é apenas quando adulto que as conseqüências de uma má alimentação se manifestam. Muitas crianças, de acordo com a pediatra, têm desenvolvido doenças de “gente grande”. A culpa é do estilo de vida moderno e urbano, que leva ao sedentarismo e a maus hábitos alimentares, podendo até mesmo agravar tendências genéticas.
Dentro desse contexto, é cada vez mais comum crianças terem dislipidemia (colesterol e triglicérides altos), hipertensão, diabetes, ansiedade e até mesmo depressão.
Uma pesquisa da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da Universidade São Marcos, com apoio do ILSI (International Life Sciences Institute) revelou que 16% dos estudantes de 10 a 15 anos estão na faixa de sobrepeso e 10% estão obesos. Paralelamente, 81% dos alunos de escolas particulares e 65% dos alunos de escolas públicas realizam menos de dez minutos de atividade física por dia e se encaixam em um quadro de sedentarismo. “Enquanto a criança ficar em casa, durante o contraturno, jogando vídeo game e comendo inadequadamente, ela será obesa. E mesmo que não esteja acima do peso, a probabilidade de apresentar disfunções como a dislipidemia é grande, exceto por uma genética muito favorável”, diz Raquel.

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